A voz às vezes não é o bastante
As palavras se tornam desnecessárias
Os ouvidos se cansam
E os olhos precisam ser fechados
Para se sentir
Somente para sentir e nada mais
A sensação, o sentimento, a vontade
O nada.
Esquecimento, apagar, neutralizar
Por que às vezes o que é necessário
É silêncio ... Puro, neutro, só.
O que é necessário
É o fazer nada, só silêncio!
...
...
...
quarta-feira, 9 de julho de 2008
segunda-feira, 23 de junho de 2008
A Beleza Que Quase Ninguém Vê ...
Tudo é tão mais simples, e tenho dito. As coisas que todos ou quase todos engrandecem, complicam e julgam estranho não passam de simplicidades olhadas por ângulos irreais ou criados simplesmente para dar impressão de complexidade, de entendimento do que é impossível de se entender ...
Sei que isso se contradiz com tudo ou quase tudo que eu disse, mas um outro fato é que as coisas e as pessoas mudam constantemente e essa mudança pode ser aparente, falada ou escrita!
Porque o que me vem fascinando não é o que é incapaz de ser entendido, o difícil, mas sim a complexidade que as coisas simples carregam, não deixando de serem simples jamais.
É tão mais interessante observar e prestar atenção no que está aqui, agora, puro e verdadeiro do que ficar criando ilusões, conceitos e pré-conceitos. É tão mais sincero, tão mais real e aberto e pronto.
Perceber a beleza que tem a cebola com suas várias camadas, sua cor quase que cristalina, seus componentes e casca tão frágeis e perceber que nunca tinha realmente visto uma cebola. Assim como foi dito na perfeita crônica de Rubem Alves. Porque é isso que a complexidade criada em nossas mentes faz, nos cega para as coisas reais, simples e belas. Todas as coisas com que estamos acostumados a conviver viram nada a partir do nosso automatismo prático que nos deixa vê-las mas não enxergá-las.
E é assim, tudo tão mais simples. E o que faz tudo ser mais sereno e harmonioso é isso, a capacidade que quase ninguém tem de ver que o que importa não são as dificuldades, mas sim a simplicidade. Pode e deve haver complexidade na simplicidade, mas tudo é limitado, tudo é simples, puramente. Nada que não possa ser entendido e tudo que possa ser enxergado pra poder ser admirado sem julgamentos.
domingo, 1 de junho de 2008
Mais Pensamentos Infindáveis ...
Tantos sentidos. Tudo tão multilateral, tantos significados e tendências.Só porque o que eu vejo e penso nunca é e nem vai ser igual ao que o resto do planeta imagina.
E eu tento não pensar nisso, mas quem disse que a
complexidade existente em mim permite?! Nunca.
Penso sim, e penso muito. E são tantas as dúvidas que fazem com que a complexidade aumente e nunca seja dissolvida. Às vezes até chego em alguma conclusão, mas aí vem um ser distinto e impõe sua razão (que não deixa de ser correta), desmoronando todo, ou quase todo pensamento que existia em mim. Eu acabo tentando mesclar as duas certezas, até porque nada se divide assim, um pensamento está integrado ao outro e tudo sempre tem uma ligação. Então me vem a idéia de que as certezas não existem bem ao certo, já que são tantas as idéias e conclusões e hipóteses que tudo acaba se consumindo aos poucos e infinitamente. Tudo uma questão de visão, de crença, de perspectiva.
Quem vai saber o que é verdade ou não, o que é certeza ou não?! Todos. Pois cada um tem a sua certeza, a sua verdade, a sua complexidade definida (ou nem tão definida assim ...). Há os que conseguem alterar a verdade do outro, mas esses possuem esse poder e ele também faz parte da verdade de tal ser, então é válido.
Uma certeza que posso ter é: cada um é distinto e por consequência apresenta pensamentos distintos também. Mas será se isso realmente é uma certeza em comum? Ou só mais uma certeza individual afundada na minha eterna dúvida?
Mais uma vez o mesmo discurso, não. Queria só não pensar por alguns instantes.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Percepção ...

E se eu te beijar onde está machucado? Você vai se sentir melhor?
Se eu for bem onde necessecitas? Toda dor irá aliviar?
Cura para todo mal. Alívio para toda dor.
Venha comigo, venha sentir. Talvez ela esteja aqui, bem aqui onde ninguém imaginou.
Todo sofrimento pode ser banido e o que vai restar é pura e simplesmente vida, vida bem viva, acesa, desperta para cada piscar de olhos.
Tudo pode estar aqui, tudo pode estar perto, calmo, silencioso, mas está. Está como a brisa que não sentimos direito mas que sabemos que está ali e que faz toda a diferença.
É só tentar sentir, é só tentar ver que há uma solução e se deixar levar, deixar rolar, deixar o processo acontecer sem pressa, do jeito natural que deve ser. Deixe-se vivenciar, se entregue à maré, nada mais pode dar errado, é só deixar acontecer, simplesmente.
Tudo é tão simples, tão natural, tão sentimento. Pra que anteceder? Pra que apressar? Pra que desespero?
Deixar fluir, eis a solução. A cura pode estar aqui e está. É só sentir.
Consegue perceber?
sábado, 26 de abril de 2008
Entorpecida Pela Ilusão
E eu sinto seu cheiro. Me envolvo novamente naquela gigante e complexa rede de alucinações que me domina todas as vezes que você passa. Sinto. Paro e sinto. E tudo some, tudo desaparece como se nada, nunca, tivesse existido, como se o tempo, o espaço e as pessoas ao redor fossem ilusórios. E o que fica é só presença, presença de cheiro, presença de ar, só sua existência se mesclando com a minha.
Cheiro indecifrável que encanta, que consome e que traz lembranças sempre boas. Os momentos, aqueles momentos em que só nós podemos pensar, momentos que só nos pertecem e que em nenhuma outra memória podem existir. Ah, os momentos.
Nesse estado me encontro, estado que nada consegue atrapalhar, sensação que sempre se repete, mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois de tantos obstáculos, ela continua, e com a mesma intensidade do começo. O tempo, simplesmente, não foi capaz de acabar com tamanha intensidade que apenas consegue dormir um sono leve, mas que é despertada com qualquer ruído, ou melhor, com o aroma que não é qualquer, mas que é o seu aroma, o que está guardado na memória e que me consome cada vez que você passa.
Mas de repente ele se vai, vai embora com toda a ilusão, some com toda a sua intensidade e da mesma forma brusca com que chegou, se despede. Eu acordo, sinto o cheiro do real, do presente e "esqueço" de tudo até que você passe de novo e largue seu cheiro carregado de momentos e memórias que tomam conta de mim por alguns minutos sublimes ...
quinta-feira, 10 de abril de 2008
O Começo Do Fim Das Nossas Vidas

Expectativa.
Vem corroendo, passando por cima, tomando conta dos pensamentos.
Ansiedade vem dominando cada dia mais, e quanto mais o tempo passa mais ela vem se tornando presente. Em cada gesto, em cada ato, em cada idéia, em cada vivência.
Pensar que está se aproximando, que a hora vai chegar, que o tempo tá passando e que tudo que foi ontem já não há, e tudo que é amanhã tá virando presente.
Tudo bem, ela sempre existiu, mas em doses menores. Dose que pode ser venenosa ou não. Sem exageros faz bem, assim como tudo e o todo. Nada deve se exagerar, assim como nada deve se antecipar, hora certa, momento exato, destino.
Expectativa pode atrapalhar, pode engrandecer o que nem tão grande é, pode estragar. Mas sem ela as coisas não têm graça, imagina que triste seria se todas as grandes coisas que fizéssemos fossem na hora e ponto, sem antecipação, sem o pensamento anteiror de como vai ser. Tão triste, tão sem intensidade.
E mais uma vez surge o discurso do equilíbrio. Tudo equilibrado, tudo yin-yang.
Na verdade, o que nos resta é a espera, a espera que nos parece tão infinita por causa de tanta expectativa, mas é uma espera que seria tão sem graça e triste se fosse só presente, se a ansiedade não fizesse parte e se nada que fizéssemos no agora não lembrasse o que tem por vir.
Esperar. Mas esperar querendo, ansiando, desejando e equilibrando pra que nada caia da corda bamba em que se pendura a nossa vida.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Cego
Quando vi, parado ali,
Um cego a se questionar porquê
Não via só a luz do sol
Como a cor do céu
Direcionou o olhar a mim
Enquanto evitava o encontro ao seu
E com tristeza no falar
Também me perguntou:
"Será mesmo, realmente
amarelo o sol, e azul o céu
por que não será lilás, vermelho
ou quem sabe seja apenas som?"
Agoniado ao pensar
No que o cego estava a falar
Olhos azuis a escurecer
Meu Deus, o que vai ser
Sentei, chorei e compreendi
Que não havia só um cego ali
E perturbado ao dizer,
Escute aí você:
" Quem é que não enxerga aqui
será eu ou você que não percebe?"
( Móveis Coloniais de Acaju )

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