terça-feira, 15 de julho de 2008

KAMIKAZE


por Rodolpho Alexandre Santos Melo Bastos


Quem nunca se deparou com incômodos na vida?
Pois é, dificilmente encontraríamos alguém tão beneficiado assim. Então imaginemo-nos em uma situação qualquer, independente de estarmos desfrutando de um bem estar, comodidade e conforto ou numa condição menos propícia a isto; é quando sentimos algo, uma gastura, o tipo de coisa que tira a concentração, que perturba e que nos faz imaginar o que será que tanto nos irrita. Geralmente é um transtorno que começa pelas pernas, uma coceira, sei lá! E quando olhamos para baixo, lá está ela, livre, desimpedida, alegre, sem preocupação, somente seguindo seu percurso, um trajeto que não sei ao certo qual é.
O que quero dizer é sobre aquele maldito incômodo causado pelas formigas, isto mesmo, as famigeradas formigas. Elas que sempre estão nos importunado, subindo em nossas pernas, tirando nossa concentração e tudo mais e, quando pensamos ter dado fim ao problema, achando que as eliminamos com um simples “tabefe” ou com uma pisada mais forte no chão, esperando que ela caia; que droga! Instantes depois começamos a sentir aquela sensação novamente. E essa sensação vai se repetindo incessantemente, como se ela quisesse nos dizer algo, nos comunicar um anseio seu; na qual temos que enfatizar o que está acontecendo, deixar de lado o que estamos fazendo e nos centrar na sua eliminação e certificar que seu corpo não possa mais se mover, para que definitivamente estejamos certos de que o incômodo não mais se repetirá, até que nos deparemos com a próxima formiga. Mas por que elas insistem tanto em subir em nossas pernas? Qual seria o seu objetivo? O que almejam?
Depois de muito tempo, estes questionamentos começaram a se tornar constantes, na mesma medida que as formigas começaram a me importunar. Então, partindo do princípio que as formigas têm um sistema de sensibilidade e percepção relevantes, penso que elas conseguem diferenciar nossas pernas de uma simples árvore, tanto pelo cheiro (se é que sentem cheiro) quanto pela pulsação que devem sentir, emitidos por nossas pernas, ou outro local de nosso corpo. Da mesma forma não as vejo subindo em animais, pelo menos não com a mesma freqüência, se é que sobem realmente nestes; também acredito que estas não se alimentam de suor humano, de tecidos ou resíduos contidos na pele, ou mesmo de nosso sangue, não as que são encontradas na cidade.
E me perdendo bastante nestes pensamentos, quase que desnecessários, que chego numa possível hipótese. As formigas devem ser suicidas, kamikazes ou coisas do tipo. Já que não possuem um motivo coerente para tal ato (subir nas pessoas), por que não especular por suicídio? Talvez estas formigas sejam diferenciadas, isto é, aquelas que foram expulsas de seus convívios por um motivo qualquer, do tipo infratoras em que devem ter transgredido alguma regra, assim, não podendo mais viver em seu meio e organização social, só lhe restando a morte como consolo para seu “espírito”, desta maneira, a única forma de ter um pouco de nobreza e honra por tal ato é o suicido. Através deste pensamento é que elas procuram “encher o saco” das pessoas, por que sabem que se insistirem um pouco neste importuno, elas com certeza irão deixar de existir. Mas tudo isto é só especulação e espero encontrar uma resposta para isto.


quarta-feira, 9 de julho de 2008

Para se sentir ...

A voz às vezes não é o bastante
As palavras se tornam desnecessárias
Os ouvidos se cansam
E os olhos precisam ser fechados
Para se sentir
Somente para sentir e nada mais
A sensação, o sentimento, a vontade
O nada.
Esquecimento, apagar, neutralizar
Por que às vezes o que é necessário
É silêncio ... Puro, neutro, só.
O que é necessário
É o fazer nada, só silêncio!
...
...
...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

A Beleza Que Quase Ninguém Vê ...

Tudo é tão mais simples, e tenho dito.
As coisas que todos ou quase todos engrandecem, complicam e julgam estranho não passam de simplicidades olhadas por ângulos irreais ou criados simplesmente para dar impressão de complexidade, de entendimento do que é impossível de se entender ...
Sei que isso se contradiz com tudo ou quase tudo que eu disse, mas um outro fato é que as coisas e as pessoas mudam constantemente e essa mudança pode ser aparente, falada ou escrita!
Porque o que me vem fascinando não é o que é incapaz de ser entendido, o difícil, mas sim a complexidade que as coisas simples carregam, não deixando de serem simples jamais.
É tão mais interessante observar e prestar atenção no que está aqui, agora, puro e verdadeiro do que ficar criando ilusões, conceitos e pré-conceitos. É tão mais sincero, tão mais real e aberto e pronto.
Perceber a beleza que tem a cebola com suas várias camadas, sua cor quase que cristalina, seus componentes e casca tão frágeis e perceber que nunca tinha realmente visto uma cebola. Assim como foi dito na perfeita crônica de Rubem Alves. Porque é isso que a complexidade criada em nossas mentes faz, nos cega para as coisas reais, simples e belas. Todas as coisas com que estamos acostumados a conviver viram nada a partir do nosso automatismo prático que nos deixa vê-las mas não enxergá-las.
E é assim, tudo tão mais simples. E o que faz tudo ser mais sereno e harmonioso é isso, a capacidade que quase ninguém tem de ver que o que importa não são as dificuldades, mas sim a simplicidade. Pode e deve haver complexidade na simplicidade, mas tudo é limitado, tudo é simples, puramente. Nada que não possa ser entendido e tudo que possa ser enxergado pra poder ser admirado sem julgamentos.


domingo, 1 de junho de 2008

Mais Pensamentos Infindáveis ...

Tantos sentidos. Tudo tão multilateral, tantos significados e tendências.
Só porque o que eu vejo e penso nunca é e nem vai ser igual ao que o resto do planeta imagina.
E eu tento não pensar nisso, mas quem disse que a
complexidade existente em mim permite?! Nunca.
Penso sim, e penso muito. E são tantas as dúvidas que fazem com que a complexidade aumente e nunca seja dissolvida. Às vezes até chego em alguma conclusão, mas aí vem um ser distinto e impõe sua razão (que não deixa de ser correta), desmoronando todo, ou quase todo pensamento que existia em mim. Eu acabo tentando mesclar as duas certezas, até porque nada se divide assim, um pensamento está integrado ao outro e tudo sempre tem uma ligação. Então me vem a idéia de que as certezas não existem bem ao certo, já que são tantas as idéias e conclusões e hipóteses que tudo acaba se consumindo aos poucos e infinitamente. Tudo uma questão de visão, de crença, de perspectiva.
Quem vai saber o que é verdade ou não, o que é certeza ou não?! Todos. Pois cada um tem a sua certeza, a sua verdade, a sua complexidade definida (ou nem tão definida assim ...). Há os que conseguem alterar a verdade do outro, mas esses possuem esse poder e ele também faz parte da verdade de tal ser, então é válido.
Uma certeza que posso ter é: cada um é distinto e por consequência apresenta pensamentos distintos também. Mas será se isso realmente é uma certeza em comum? Ou só mais uma certeza individual afundada na minha eterna dúvida?
Mais uma vez o mesmo discurso, não. Queria só não pensar por alguns instantes.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Percepção ...


E se eu te beijar onde está machucado? Você vai se sentir melhor?
Se eu for bem onde necessecitas? Toda dor irá aliviar?
Cura para todo mal. Alívio para toda dor.
Venha comigo, venha sentir. Talvez ela esteja aqui, bem aqui onde ninguém imaginou.
Todo sofrimento pode ser banido e o que vai restar é pura e simplesmente vida, vida bem viva, acesa, desperta para cada piscar de olhos.
Tudo pode estar aqui, tudo pode estar perto, calmo, silencioso, mas está. Está como a brisa que não sentimos direito mas que sabemos que está ali e que faz toda a diferença.
É só tentar sentir, é só tentar ver que há uma solução e se deixar levar, deixar rolar, deixar o processo acontecer sem pressa, do jeito natural que deve ser. Deixe-se vivenciar, se entregue à maré, nada mais pode dar errado, é só deixar acontecer, simplesmente.
Tudo é tão simples, tão natural, tão sentimento. Pra que anteceder? Pra que apressar? Pra que desespero?
Deixar fluir, eis a solução. A cura pode estar aqui e está. É só sentir.


Consegue perceber?


sábado, 26 de abril de 2008

Entorpecida Pela Ilusão

E eu sinto seu cheiro. Me envolvo novamente naquela gigante e complexa rede de alucinações que me domina todas as vezes que você passa. Sinto. Paro e sinto. E tudo some, tudo desaparece como se nada, nunca, tivesse existido, como se o tempo, o espaço e as pessoas ao redor fossem ilusórios. E o que fica é só presença, presença de cheiro, presença de ar, só sua existência se mesclando com a minha.
Cheiro indecifrável que encanta, que consome e que traz lembranças sempre boas. Os momentos, aqueles momentos em que só nós podemos pensar, momentos que só nos pertecem e que em nenhuma outra memória podem existir. Ah, os momentos.
Nesse estado me encontro, estado que nada consegue atrapalhar, sensação que sempre se repete, mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois de tantos obstáculos, ela continua, e com a mesma intensidade do começo. O tempo, simplesmente, não foi capaz de acabar com tamanha intensidade que apenas consegue dormir um sono leve, mas que é despertada com qualquer ruído, ou melhor, com o aroma que não é qualquer, mas que é o seu aroma, o que está guardado na memória e que me consome cada vez que você passa.
Mas de repente ele se vai, vai embora com toda a ilusão, some com toda a sua intensidade e da mesma forma brusca com que chegou, se despede. Eu acordo, sinto o cheiro do real, do presente e "esqueço" de tudo até que você passe de novo e largue seu cheiro carregado de momentos e memórias que tomam conta de mim por alguns minutos sublimes ...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O Começo Do Fim Das Nossas Vidas


Expectativa.
Vem corroendo, passando por cima, tomando conta dos pensamentos.
Ansiedade vem dominando cada dia mais, e quanto mais o tempo passa mais ela vem se tornando presente. Em cada gesto, em cada ato, em cada idéia, em cada vivência.
Pensar que está se aproximando, que a hora vai chegar, que o tempo tá passando e que tudo que foi ontem já não há, e tudo que é amanhã tá virando presente.
Tudo bem, ela sempre existiu, mas em doses menores. Dose que pode ser venenosa ou não. Sem exageros faz bem, assim como tudo e o todo. Nada deve se exagerar, assim como nada deve se antecipar, hora certa, momento exato, destino.
Expectativa pode atrapalhar, pode engrandecer o que nem tão grande é, pode estragar. Mas sem ela as coisas não têm graça, imagina que triste seria se todas as grandes coisas que fizéssemos fossem na hora e ponto, sem antecipação, sem o pensamento anteiror de como vai ser. Tão triste, tão sem intensidade.
E mais uma vez surge o discurso do equilíbrio. Tudo equilibrado, tudo yin-yang.
Na verdade, o que nos resta é a espera, a espera que nos parece tão infinita por causa de tanta expectativa, mas é uma espera que seria tão sem graça e triste se fosse só presente, se a ansiedade não fizesse parte e se nada que fizéssemos no agora não lembrasse o que tem por vir.
Esperar. Mas esperar querendo, ansiando, desejando e equilibrando pra que nada caia da corda bamba em que se pendura a nossa vida.