'Oh, what is there to know?
All this is what it is
Oh, you and me alone
Sheer simplicity.'
sexta-feira, 19 de junho de 2009
sábado, 2 de maio de 2009
Ritmo.
19 de setembro de 1996
Minha Flora,
As coisas aqui parecem sem nexo ás vezes, mas eu sei que esse é só o sentimento causado pela falta que você faz, meu amor.
Eu não entendo certos atos, certas melodias, certos crepúsculos, mas eu sei que quando eu penso na sua beleza qualquer coisa parece ter mais sentido, tudo parece ser mais vivo perto de você.
Eu estava andando pelos jardins agora e por incrível que pareça hoje é um dia de sol e flores, as pessoas parecem mais felizes do que o normal e eu também (mesmo eu não me encaixando muito bem no tipo de felicidade deles). Eu acho que o mundo percebe quando eu vou escrever para você, e como eu já te disse inúmeras vezes, te escrever é te sentir e te sentir é viver intensamente.
Ah, é isso mesmo que eu preciso, intensidade. Acho que o que eu sempre procurei a todo segundo na minha vida foi intensidade, principalmente nos pequenos atos. Me traz desespero pensar que as pessoas agem tão automaticamente, tão sem perceber... tudo podia ser tão mais bonito, e se podia. Do café onde estou sentado posso ver um jardim de tulipas (sua preferida). É, parece que as coisas se encaixam mais mesmo, impressionante.
Eu continuo te vendo em tudo, Flora.
Com um jardim de amores.
Miguel.
Minha Flora,
As coisas aqui parecem sem nexo ás vezes, mas eu sei que esse é só o sentimento causado pela falta que você faz, meu amor.
Eu não entendo certos atos, certas melodias, certos crepúsculos, mas eu sei que quando eu penso na sua beleza qualquer coisa parece ter mais sentido, tudo parece ser mais vivo perto de você.
Eu estava andando pelos jardins agora e por incrível que pareça hoje é um dia de sol e flores, as pessoas parecem mais felizes do que o normal e eu também (mesmo eu não me encaixando muito bem no tipo de felicidade deles). Eu acho que o mundo percebe quando eu vou escrever para você, e como eu já te disse inúmeras vezes, te escrever é te sentir e te sentir é viver intensamente.
Ah, é isso mesmo que eu preciso, intensidade. Acho que o que eu sempre procurei a todo segundo na minha vida foi intensidade, principalmente nos pequenos atos. Me traz desespero pensar que as pessoas agem tão automaticamente, tão sem perceber... tudo podia ser tão mais bonito, e se podia. Do café onde estou sentado posso ver um jardim de tulipas (sua preferida). É, parece que as coisas se encaixam mais mesmo, impressionante.
Eu continuo te vendo em tudo, Flora.
Com um jardim de amores.
Miguel.

segunda-feira, 20 de abril de 2009
Pré-história
Entramos naquela casa que, por um milagre tinha um pequeno interruptor perto da porta. A luz entrou em todos os cantinhos que pareciam não ter sido explorados em muito tempo. Pequenas penugens e nuvens de poeira se encontravam em todo o lugar: móveis, espelhos, escadas, cadeiras, nada parecia escapar da idade.
Nada seria tão encantador se a luz não estivesse presente, ela fazia com que tudo o que nós não havíamos percebido fosse ainda mais encantador, com toda a idade, com todo o desgaste. E a casa ia, sem fim por todo mínimo detalhe iluminado, por toda pequena película de poeira por cima de cada móvel numa descoberta sem fim.
Ah, o fim. O fim era com certeza a ultima coisa que parecia passar por nossas mentes naquele momento. Sempre acreditei que mesmo pensando em todos os começos, nunca conseguiria esquecer-me do fim. Aquele pequeno momento de luz foi como um dia de meditação, tudo o que acabava, começava, explodia e se esquecia em toda aquela imensidão. Não me preocupei em perguntar o porque, o caminho ou a possível razão daquele momento.
O primeiro passo que demos naquela casa nos fez mergulhar em uma nova dimensão. As menores partículas do meu corpo, as menores partículas de poeira e as grandiosas partículas de história que se encontravam ali estavam cheias de luz.
E ali eu estava, só naquele momento onde nada mais era importante. O resto do mundo tinha ficado lá fora, toda a confusão, todas as interrogações e complexidades tinham ficado para trás com a escuridão do mundo. Aquele momento era totalmente intenso onde tudo o que exisitia eram os detalhes jamais vividos, a simplicidade iluminada, clara, bem ali na minha frente.
Tudo era luz, eu era luz.
E o que mais me impressionava era o fato de que a luz nao me cegava, não me fazia espremer os olhos com força, como fazia na forte luz do sol nos dias de verão na praia ou nas salas de aula de todas as escolas que passei na vida. Todas as luzes que me cegavam e incomodavam
não estavam mais ali.
Aquela era a casa que eu queria passar o resto da minha vida. Não, não o resto da minha vida, já me prometi que nao faria planos tao longos. Aquela era a casa que queria passar meu tempo. Que faria meus dias de luz.
- Júlia e Letícia -
Nada seria tão encantador se a luz não estivesse presente, ela fazia com que tudo o que nós não havíamos percebido fosse ainda mais encantador, com toda a idade, com todo o desgaste. E a casa ia, sem fim por todo mínimo detalhe iluminado, por toda pequena película de poeira por cima de cada móvel numa descoberta sem fim.
Ah, o fim. O fim era com certeza a ultima coisa que parecia passar por nossas mentes naquele momento. Sempre acreditei que mesmo pensando em todos os começos, nunca conseguiria esquecer-me do fim. Aquele pequeno momento de luz foi como um dia de meditação, tudo o que acabava, começava, explodia e se esquecia em toda aquela imensidão. Não me preocupei em perguntar o porque, o caminho ou a possível razão daquele momento.
O primeiro passo que demos naquela casa nos fez mergulhar em uma nova dimensão. As menores partículas do meu corpo, as menores partículas de poeira e as grandiosas partículas de história que se encontravam ali estavam cheias de luz.
E ali eu estava, só naquele momento onde nada mais era importante. O resto do mundo tinha ficado lá fora, toda a confusão, todas as interrogações e complexidades tinham ficado para trás com a escuridão do mundo. Aquele momento era totalmente intenso onde tudo o que exisitia eram os detalhes jamais vividos, a simplicidade iluminada, clara, bem ali na minha frente.
Tudo era luz, eu era luz.
E o que mais me impressionava era o fato de que a luz nao me cegava, não me fazia espremer os olhos com força, como fazia na forte luz do sol nos dias de verão na praia ou nas salas de aula de todas as escolas que passei na vida. Todas as luzes que me cegavam e incomodavam
não estavam mais ali.
Aquela era a casa que eu queria passar o resto da minha vida. Não, não o resto da minha vida, já me prometi que nao faria planos tao longos. Aquela era a casa que queria passar meu tempo. Que faria meus dias de luz.
- Júlia e Letícia -
terça-feira, 3 de março de 2009
Caminho.
12 de maio de 1996.
Querida Flora,
Acabo de entrar no trem para minha nova vida e você sabe o quanto eu gosto de escrever qualquer coisa a bordo de um trem, vendo a paisagem passar lá fora, observando cada mínimo detalhe(como eu sempre faço), vendo cada rosto de pessoa, cada listra da poltrona, cada mancha nos vidros da janela, cada arquitetura, cada natureza.
Um senhor senta ao meu lado, e eu acho que eu nunca havia te confessado o quanto eu gosto e o quanto me faz bem observar cada pequeno ato de velhihos e velhinhas por esse mundo, os atos deles são tão serenos, e eu menciono os pequenos atos, os simples movimentos. Esse senhor ao meu lado tem um jornal, ele move serenamente as mãos e coloca seus óculos de leitura, ergue o jornal e começa a ler ... a partir desse momento não existe trem, não existe caminho e nem listras nas poltronas para ele, ele é o jornal. E o que me dá mais prazer é observar o modo como esse senhor passa as páginas do jornal, é como se fosse uma dança entre dedos e papel, uma mistura, chega a dar arrepios, e eu sempre gostei de observar tal ato seja nos trens ou em salas de espera de dentistas. Traz paz.
Ah minha querida, eu gosto tanto de compartilhar todas as coisas contigo, e a gente sabe que não é com qualquer um que isso acontece, essa sintonia. E eu te vejo em cada paisagem lá fora, no Sol que ilumina as plantas, nas nuvens que me mostram calmaria ... em tudo.
Meu caminho está cheio de 'vocês', Flora. E não se esqueça disso.
Com um jardim de amores.
Querida Flora,
Acabo de entrar no trem para minha nova vida e você sabe o quanto eu gosto de escrever qualquer coisa a bordo de um trem, vendo a paisagem passar lá fora, observando cada mínimo detalhe(como eu sempre faço), vendo cada rosto de pessoa, cada listra da poltrona, cada mancha nos vidros da janela, cada arquitetura, cada natureza.
Um senhor senta ao meu lado, e eu acho que eu nunca havia te confessado o quanto eu gosto e o quanto me faz bem observar cada pequeno ato de velhihos e velhinhas por esse mundo, os atos deles são tão serenos, e eu menciono os pequenos atos, os simples movimentos. Esse senhor ao meu lado tem um jornal, ele move serenamente as mãos e coloca seus óculos de leitura, ergue o jornal e começa a ler ... a partir desse momento não existe trem, não existe caminho e nem listras nas poltronas para ele, ele é o jornal. E o que me dá mais prazer é observar o modo como esse senhor passa as páginas do jornal, é como se fosse uma dança entre dedos e papel, uma mistura, chega a dar arrepios, e eu sempre gostei de observar tal ato seja nos trens ou em salas de espera de dentistas. Traz paz.
Ah minha querida, eu gosto tanto de compartilhar todas as coisas contigo, e a gente sabe que não é com qualquer um que isso acontece, essa sintonia. E eu te vejo em cada paisagem lá fora, no Sol que ilumina as plantas, nas nuvens que me mostram calmaria ... em tudo.
Meu caminho está cheio de 'vocês', Flora. E não se esqueça disso.
Com um jardim de amores.
Miguel.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Aqui.

Existem pessoas maravilhosas demais nesse mundo.
E a gente só as encontra por aí, sem nem mais porque elas aparecem e trazem consigo uma alegria e um sentimento tão intenso que quase não cabe dentro da gente.
Eu quero sentir essa presença pra sempre, mesmo com toda a distância tudo vai estar aqui, eternizado e aceso sempre!
Com todo o amor do mundo.
sábado, 24 de janeiro de 2009
Pôr-do-Sol
"Fico tão feliz em saber que eu não sou imortal".
Uma frase que uma das pessoas mais maravilhosas que eu já conheci disse e que fixou para sempre. Essa sensação de que tudo vai acabar é realmente confortante, sensação de que isso que estamos passando não é infindável, que vai passar e que vai ter um fim ... pode ser uma passagem longa ou não, mas vai ser do tamanho ideal, sendo do tamanho que for, só não pode ser (e não é, de fato) infinita.
Imagina só o pensamento contrário, que horror. Pensar que isso tudo vai se prolongar e nunca acabar, pensar que vai ser isso, mesmo com novidades, mas que vai ser isso sempre, se renovando, se repetindo! E outra coisa é, que se fosse assim, acho que ninguém iria querer viver intensamente, sabendo que aquele momento poderia e teria a oportunidade de ocorrer mais vezes, só seria mais um momento banal na vida não-passageira em que supostamente viveríamos.Triste.
E o que traz a alegria, a boa recordação, a paixão pela vida é a intensidade com que aplicamos a cada pequeno momento vivido ... Quanto mais intensidade aplicada, mais coisas sentidas, mais sabores, mais visões, mais aromas, mais amores. Quanto mais intensidade, mais interesse em recordar, mais facilidade em fixar, em seguir e lembrar até o fim.
Ah, bendito seja o fim! Bendita seja a morte, o acabar, o ir. Porque assim como deve ser intenso o nascer e o percurso, o fim também deve ter intensidade. Assim como é preciso saber viver, é preciso saber morrer, saber acabar. E que nada seja tão banal em nenhum momento pra que tudo seja intenso, seja memorável e que perdure até o fim de tudo.

"Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais.
Mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar ..."
- Cora Coralina -
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais.
Mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar ..."
- Cora Coralina -
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
.
Era só um dia normal de quinta-feira, onde nada demais poderia ocorrer, tudo bem é claro que poderia mas , maas ... Tá, era rotina, nada de diferente estava planejado, ela só sentava na mesma praça, no mesmo banco, no mesmo horário à esperar.Como numa outra quinta-feira qualquer ela estava na espera, na espera que se renovava a cada vez em que esperava. E essa espera já tinha se tornado totalmente comum, rotineira, e às vezes bastante cansativa e entediante, algo que achava que seria prazeroso pra sempre tinha caído nas garras do senhor tédio. Mas mesmo assim, sentia paixão pelo tédio também. Na verdade ela sempre tentava sentir paixão por tudo o que via e fazia ... e ao sentar naquele banco, todas as quintas-feiras, no mesmo horário ela via quase todas as vezes as mesmas coisas. Tinha um carteiro que sempre passava e deixava correpondências em cada loja, tinham os pombos que às vezes eram muitos e as vezes solitários mas sempre lá, tinha a mulher que passava sempre olhando o relógio, correndo, apressada, lhe parecia tão sem paixão. Tinha o senhor que sempre lhe transparecia calmaria, experiência, sentia vontade de conversar com ele, mas ela gostava mesmo era só de observar, paixão em observar. Observava cada pedrinha, cada banco, cada lixo jogado no chão, cada folha das árvores, cada gotícula que caia da fonte, paixão por isso, paixão pelas quintas, paixão pela espera, paixão pelo tédio. Engraçado, ela nunca na vida pensou que um dia poderia tirar proveito do tédio, sempre o observava com mal olhar, assim como observa a mulher do relógio, mas se enganou e aprendeu que o tédio poderia sim trazer boas coisas, poderia trazer paixão.
Mais uma quinta-feira de sol, de gotículas, de pedrinhas, de pombos, de senhor, de mulher, de carteiro, de estalar de dedos, de se ver fazer nada, de silêncio, de observação, de calma no meio da bagunça. Quinta-feira, sim quinta-feira que parecia não acabar mas que acabava, ela tinha tanta paixão pelo final, assim como pelo começo, e depois de cada quinta-feira ela se sentia mais feliz, renovada, inteira, porque as paixões se reuninam todas num dia só.
E no fundo ela sabia o porque de tanta alegria pós quinta-feira, ela sabia porque cada quinta-feira lhe dava felicidade, era porque em cada vez que ela observava as mesmas coisas, fazia as mesmas coisas, pensava as mesmas coisas e não pensava nada ao mesmo tempo ela percebia que o que ela tinha e sempre haveria de ter era a paixão, mas paixão só pelas coisas simples!
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