terça-feira, 28 de julho de 2009

Avante.

Querer saber deicidir. Saber decidir. Decidir. Ir.
Ás vezes a gente diz que é difícil decidir as coisas, mas será se tudo já não está totalmente decidido dentro da gente que o que falta é coragem? A mania de dificultar e o comodismo fazem com que as decisões e as idas sejam bem mais longas, bem mais torturantes desnecessariamente. Porque pra se achar a solução não se precisa de muito, é só se concentrar, prestar atenção nos mínimos sinais, nos mínimos motivos e só, e seguir, e sentir.
Ás vezes a gente diz que tem que pensar mais nos outros do que em si próprio e se engana, se engana fatalmente. Porque se pra nós mesmos existir alguém mais importante do que nós mesmos a vida não se segue, as decisões nunca são tomadas verdadeiramente, e o ir nunca caminha.
Ás vezes a gente inventa desculpas pra cada mínimo passo dado, mas, nem toda ação tem seu motivo aparente, mas todos têm certeza que ela tem de ser tomada porque faz parte do processo, porque é assim mesmo que tem ser, mesmo sendo clichê. E é pra frente que a gente vai, é pra frente que se dever ir.
E ás vezes pra se decidir é preciso de um empurrão, mas se a gente for esperar por ele a gente demora mais ainda pra seguir. Então pra que esperar? O empurrão deve sair de dentro da gente, sem muito esforço, sem muito pensamento. Porque a gente sabe que ás vezes pensar demais atrapalha (e muito).
Ás vezes nos sobra medo e nos falta coragem. Ás vezes o contrário. Ás vezes a gente pensa demais. Ás vezes o contrário. Ás vezes nada segue seu rumo. Ás vezes o contrário. Ás vezes nada se resolve. Ás vezes o contrário. Ás vezes o que se precisa é só de decisão rápida, pra viver, pra seguir, pra ir.
Ah, como eu gosto das decisões tomadas por impulso. Como eu gosto da intuição.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

'Oh, what is there to know?
All this is what it is
Oh, you and me alone
Sheer simplicity.'

sábado, 2 de maio de 2009

Ritmo.

19 de setembro de 1996

Minha Flora,

As coisas aqui parecem sem nexo ás vezes, mas eu sei que esse é só o sentimento causado pela falta que você faz, meu amor.
Eu não entendo certos atos, certas melodias, certos crepúsculos, mas eu sei que quando eu penso na sua beleza qualquer coisa parece ter mais sentido, tudo parece ser mais vivo perto de você.
Eu estava andando pelos jardins agora e por incrível que pareça hoje é um dia de sol e flores, as pessoas parecem mais felizes do que o normal e eu também (mesmo eu não me encaixando muito bem no tipo de felicidade deles). Eu acho que o mundo percebe quando eu vou escrever para você, e como eu já te disse inúmeras vezes, te escrever é te sentir e te sentir é viver intensamente.
Ah, é isso mesmo que eu preciso, intensidade. Acho que o que eu sempre procurei a todo segundo na minha vida foi intensidade, principalmente nos pequenos atos. Me traz desespero pensar que as pessoas agem tão automaticamente, tão sem perceber... tudo podia ser tão mais bonito, e se podia. Do café onde estou sentado posso ver um jardim de tulipas (sua preferida). É, parece que as coisas se encaixam mais mesmo, impressionante.
Eu continuo te vendo em tudo, Flora.

Com um jardim de amores.
Miguel.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pré-história

Entramos naquela casa que, por um milagre tinha um pequeno interruptor perto da porta. A luz entrou em todos os cantinhos que pareciam não ter sido explorados em muito tempo. Pequenas penugens e nuvens de poeira se encontravam em todo o lugar: móveis, espelhos, escadas, cadeiras, nada parecia escapar da idade.
Nada seria tão encantador se a luz não estivesse presente, ela fazia com que tudo o que nós não havíamos percebido fosse ainda mais encantador, com toda a idade, com todo o desgaste. E a casa ia, sem fim por todo mínimo detalhe iluminado, por toda pequena película de poeira por cima de cada móvel numa descoberta sem fim.
Ah, o fim. O fim era com certeza a ultima coisa que parecia passar por nossas mentes naquele momento. Sempre acreditei que mesmo pensando em todos os começos, nunca conseguiria esquecer-me do fim. Aquele pequeno momento de luz foi como um dia de meditação, tudo o que acabava, começava, explodia e se esquecia em toda aquela imensidão. Não me preocupei em perguntar o porque, o caminho ou a possível razão daquele momento.
O primeiro passo que demos naquela casa nos fez mergulhar em uma nova dimensão. As menores partículas do meu corpo, as menores partículas de poeira e as grandiosas partículas de história que se encontravam ali estavam cheias de luz.
E ali eu estava, só naquele momento onde nada mais era importante. O resto do mundo tinha ficado lá fora, toda a confusão, todas as interrogações e complexidades tinham ficado para trás com a escuridão do mundo. Aquele momento era totalmente intenso onde tudo o que exisitia eram os detalhes jamais vividos, a simplicidade iluminada, clara, bem ali na minha frente.
Tudo era luz, eu era luz.
E o que mais me impressionava era o fato de que a luz nao me cegava, não me fazia espremer os olhos com força, como fazia na forte luz do sol nos dias de verão na praia ou nas salas de aula de todas as escolas que passei na vida. Todas as luzes que me cegavam e incomodavam

não estavam mais ali.
Aquela era a casa que eu queria passar o resto da minha vida. Não, não o resto da minha vida, já me prometi que nao faria planos tao longos. Aquela era a casa que queria passar meu tempo. Que faria meus dias de luz.



- Júlia e Letícia -



terça-feira, 3 de março de 2009

Caminho.


12 de maio de 1996.

Querida Flora,

Acabo de entrar no trem para minha nova vida e você sabe o quanto eu gosto de escrever qualquer coisa a bordo de um trem, vendo a paisagem passar lá fora, observando cada mínimo detalhe(como eu sempre faço), vendo cada rosto de pessoa, cada listra da poltrona, cada mancha nos vidros da janela, cada arquitetura, cada natureza.
Um senhor senta ao meu lado, e eu acho que eu nunca havia te confessado o quanto eu gosto e o quanto me faz bem observar cada pequeno ato de velhihos e velhinhas por esse mundo, os atos deles são tão serenos, e eu menciono os pequenos atos, os simples movimentos. Esse senhor ao meu lado tem um jornal, ele move serenamente as mãos e coloca seus óculos de leitura, ergue o jornal e começa a ler ... a partir desse momento não existe trem, não existe caminho e nem listras nas poltronas para ele, ele é o jornal. E o que me dá mais prazer é observar o modo como esse senhor passa as páginas do jornal, é como se fosse uma dança entre dedos e papel, uma mistura, chega a dar arrepios, e eu sempre gostei de observar tal ato seja nos trens ou em salas de espera de dentistas. Traz paz.
Ah minha querida, eu gosto tanto de compartilhar todas as coisas contigo, e a gente sabe que não é com qualquer um que isso acontece, essa sintonia. E eu te vejo em cada paisagem lá fora, no Sol que ilumina as plantas, nas nuvens que me mostram calmaria ... em tudo.
Meu caminho está cheio de 'vocês', Flora. E não se esqueça disso.

Com um jardim de amores.
Miguel.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Aqui.



Existem pessoas maravilhosas demais nesse mundo.
E a gente só as encontra por aí, sem nem mais porque elas aparecem e trazem consigo uma alegria e um sentimento tão intenso que quase não cabe dentro da gente.
Eu quero sentir essa presença pra sempre, mesmo com toda a distância tudo vai estar aqui, eternizado e aceso sempre!

Com todo o amor do mundo.


sábado, 24 de janeiro de 2009

Pôr-do-Sol

"Fico tão feliz em saber que eu não sou imortal".
Uma frase que uma das pessoas mais maravilhosas que eu já conheci disse e que fixou para sempre. Essa sensação de que tudo vai acabar é realmente confortante, sensação de que isso que estamos passando não é infindável, que vai passar e que vai ter um fim ... pode ser uma passagem longa ou não, mas vai ser do tamanho ideal, sendo do tamanho que for, só não pode ser (e não é, de fato) infinita.
Imagina só o pensamento contrário, que horror. Pensar que isso tudo vai se prolongar e nunca acabar, pensar que vai ser isso, mesmo com novidades, mas que vai ser isso sempre, se renovando, se repetindo! E outra coisa é, que se fosse assim, acho que ninguém iria querer viver intensamente, sabendo que aquele momento poderia e teria a oportunidade de ocorrer mais vezes, só seria mais um momento banal na vida não-passageira em que supostamente viveríamos.Triste.
E o que traz a alegria, a boa recordação, a paixão pela vida é a intensidade com que aplicamos a cada pequeno momento vivido ... Quanto mais intensidade aplicada, mais coisas sentidas, mais sabores, mais visões, mais aromas, mais amores. Quanto mais intensidade, mais interesse em recordar, mais facilidade em fixar, em seguir e lembrar até o fim.
Ah, bendito seja o fim! Bendita seja a morte, o acabar, o ir. Porque assim como deve ser intenso o nascer e o percurso, o fim também deve ter intensidade. Assim como é preciso saber viver, é preciso saber morrer, saber acabar. E que nada seja tão banal em nenhum momento pra que tudo seja intenso, seja memorável e que perdure até o fim de tudo.






"Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais.
Mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar ..."

- Cora Coralina -