segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ventania.


E buscar você por todos os cantos, ruas e multidões. Buscar você até que a alma peça pra parar, até que as forças não sejam mais alcançadas, até que o eu diga "basta".
Na busca de tempos, de sempre, de um tempo psicológico que chega a ser incompreensível... Busca de todos os dias, de todos os segundos, busca de uma mente que não para de confabular outros modos de buscar, de uma mente cansada mas ainda disposta, de uma disposição quase cega.

Talvez a busca de algo que não precisa ser tão buscado, de algo que já parece ter sido encontrado depois de uma busca infinita e que ainda se faz presente, a busca nunca se cessa. E nesse buscar as esperanças aumentam, a idéia de alcance aumenta e a falta de consciência também. Porque nesse ir e vir de busca o coração vai se enchendo até que em uma hora ele possa pedir vazio ou explosão.
Ah, sempre preferi pensar em explosão, vazio é triste, é amplo, é solidão. Explosão arrebata, quebra, arrebenta todas as artérias. Explosão é alegre, é vasta, é estar junto.
Buscar você, buscar explosão, buscar o que já se tem, mesmo se querendo mais.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Cubo.

Nunca soube como expressar sentimento que fosse, nunca soube mostrar, se abrir.
Nunca soube como dizer, e tinha a impressão de que era isso que arruinava seus planos, tinha a impressão de que seu esconderijo a atrapalhava.
Era um esconderijo fundo, escuro e intenso... Nesse esconderijo guardava todos as ânsias, todas as vontades, todos os impulsos não respeitados, as angústias. E agora vinha percebendo que esse esconderijo a incomodava mais que nunca, em um momento em que o que mais queria era saber se abrir, saber resolver, saber expor. Nesse momento, as palavras eram necessárias, a aparição. Tinha tanta convicção de que seu esconderijo a atrapalhava e impedia de algum jeito que as situações fossem resolvidas, e sofria, e pensava e guardava mais sentimento no escoderijo.
Sentimento preso, escondido que atormentava. E não diria que não resolveu tentar, pois tentava a cada minuto transparecer, abrir as portas daquele esconderijo, mas algo parecia a esconder mais, algo parecia cobrir mais ainda os espaços de coragem que achava. E queria algo menos pessoal e íntimo, queria realmente se soltar, queria saber como mostrar, queria tanto...
E queria mais ainda que um dia essa angústia passasse, pois não aguentava mais, ela queria uma decisão e mais do que nunca a situação a obrigava a revelar, a despejar tudo. Mas além de todos os sentimentos, ainda guarda no esconderijo o receio de ser tarde demais.

sábado, 15 de agosto de 2009

Arremate.

Porque eu estou com sono e nada do que eu pensar agora vai fazer muito sentido, dá vontade de fazer tudo assim, sem medidas, sem pensar, no piloto automático. Eu, no meu "sleeping mode" vou resolver escrever um texto e penso: Ah, isso vai dar merda. Mas nada melhor do que uma merdinha de vez em quando pra livrar a mente das merdas cheirosas da vida (até porque elas são as mais difíceis de expelir).
Vou bagunçar mais as idéias, mesmo sabendo que não vai levar a lugar algum... ou talvez ao mesmo lugar de sempre. Eu quero começar a entender o porquê da rebeldia. Pois se tá com sono, as pálpebras insistem em pesar, os pensamentos nem estão sendo mais coordenados... por que não domir? Nãããão, vai escrever!
Mas eu gosto é assim, até porque eu já tentei tantas vezes escrever aqui enquanto eu estava sóbria (na conotação mais sonolenta da palavra) e não consegui, o branco vem, a mente tá certinha demais, tá toda branquinha, sem sujeirinha nenhuma, sem merdinha nenhuma.
Então eu vim, vim mesmo e estou aqui, aqui estou sem ânimo, sem mente, sem nada... mas com sono e desorganização mental!


Quer melhor?

terça-feira, 28 de julho de 2009

Avante.

Querer saber deicidir. Saber decidir. Decidir. Ir.
Ás vezes a gente diz que é difícil decidir as coisas, mas será se tudo já não está totalmente decidido dentro da gente que o que falta é coragem? A mania de dificultar e o comodismo fazem com que as decisões e as idas sejam bem mais longas, bem mais torturantes desnecessariamente. Porque pra se achar a solução não se precisa de muito, é só se concentrar, prestar atenção nos mínimos sinais, nos mínimos motivos e só, e seguir, e sentir.
Ás vezes a gente diz que tem que pensar mais nos outros do que em si próprio e se engana, se engana fatalmente. Porque se pra nós mesmos existir alguém mais importante do que nós mesmos a vida não se segue, as decisões nunca são tomadas verdadeiramente, e o ir nunca caminha.
Ás vezes a gente inventa desculpas pra cada mínimo passo dado, mas, nem toda ação tem seu motivo aparente, mas todos têm certeza que ela tem de ser tomada porque faz parte do processo, porque é assim mesmo que tem ser, mesmo sendo clichê. E é pra frente que a gente vai, é pra frente que se dever ir.
E ás vezes pra se decidir é preciso de um empurrão, mas se a gente for esperar por ele a gente demora mais ainda pra seguir. Então pra que esperar? O empurrão deve sair de dentro da gente, sem muito esforço, sem muito pensamento. Porque a gente sabe que ás vezes pensar demais atrapalha (e muito).
Ás vezes nos sobra medo e nos falta coragem. Ás vezes o contrário. Ás vezes a gente pensa demais. Ás vezes o contrário. Ás vezes nada segue seu rumo. Ás vezes o contrário. Ás vezes nada se resolve. Ás vezes o contrário. Ás vezes o que se precisa é só de decisão rápida, pra viver, pra seguir, pra ir.
Ah, como eu gosto das decisões tomadas por impulso. Como eu gosto da intuição.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

'Oh, what is there to know?
All this is what it is
Oh, you and me alone
Sheer simplicity.'

sábado, 2 de maio de 2009

Ritmo.

19 de setembro de 1996

Minha Flora,

As coisas aqui parecem sem nexo ás vezes, mas eu sei que esse é só o sentimento causado pela falta que você faz, meu amor.
Eu não entendo certos atos, certas melodias, certos crepúsculos, mas eu sei que quando eu penso na sua beleza qualquer coisa parece ter mais sentido, tudo parece ser mais vivo perto de você.
Eu estava andando pelos jardins agora e por incrível que pareça hoje é um dia de sol e flores, as pessoas parecem mais felizes do que o normal e eu também (mesmo eu não me encaixando muito bem no tipo de felicidade deles). Eu acho que o mundo percebe quando eu vou escrever para você, e como eu já te disse inúmeras vezes, te escrever é te sentir e te sentir é viver intensamente.
Ah, é isso mesmo que eu preciso, intensidade. Acho que o que eu sempre procurei a todo segundo na minha vida foi intensidade, principalmente nos pequenos atos. Me traz desespero pensar que as pessoas agem tão automaticamente, tão sem perceber... tudo podia ser tão mais bonito, e se podia. Do café onde estou sentado posso ver um jardim de tulipas (sua preferida). É, parece que as coisas se encaixam mais mesmo, impressionante.
Eu continuo te vendo em tudo, Flora.

Com um jardim de amores.
Miguel.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pré-história

Entramos naquela casa que, por um milagre tinha um pequeno interruptor perto da porta. A luz entrou em todos os cantinhos que pareciam não ter sido explorados em muito tempo. Pequenas penugens e nuvens de poeira se encontravam em todo o lugar: móveis, espelhos, escadas, cadeiras, nada parecia escapar da idade.
Nada seria tão encantador se a luz não estivesse presente, ela fazia com que tudo o que nós não havíamos percebido fosse ainda mais encantador, com toda a idade, com todo o desgaste. E a casa ia, sem fim por todo mínimo detalhe iluminado, por toda pequena película de poeira por cima de cada móvel numa descoberta sem fim.
Ah, o fim. O fim era com certeza a ultima coisa que parecia passar por nossas mentes naquele momento. Sempre acreditei que mesmo pensando em todos os começos, nunca conseguiria esquecer-me do fim. Aquele pequeno momento de luz foi como um dia de meditação, tudo o que acabava, começava, explodia e se esquecia em toda aquela imensidão. Não me preocupei em perguntar o porque, o caminho ou a possível razão daquele momento.
O primeiro passo que demos naquela casa nos fez mergulhar em uma nova dimensão. As menores partículas do meu corpo, as menores partículas de poeira e as grandiosas partículas de história que se encontravam ali estavam cheias de luz.
E ali eu estava, só naquele momento onde nada mais era importante. O resto do mundo tinha ficado lá fora, toda a confusão, todas as interrogações e complexidades tinham ficado para trás com a escuridão do mundo. Aquele momento era totalmente intenso onde tudo o que exisitia eram os detalhes jamais vividos, a simplicidade iluminada, clara, bem ali na minha frente.
Tudo era luz, eu era luz.
E o que mais me impressionava era o fato de que a luz nao me cegava, não me fazia espremer os olhos com força, como fazia na forte luz do sol nos dias de verão na praia ou nas salas de aula de todas as escolas que passei na vida. Todas as luzes que me cegavam e incomodavam

não estavam mais ali.
Aquela era a casa que eu queria passar o resto da minha vida. Não, não o resto da minha vida, já me prometi que nao faria planos tao longos. Aquela era a casa que queria passar meu tempo. Que faria meus dias de luz.



- Júlia e Letícia -