terça-feira, 6 de outubro de 2009
Visualizando
Quando ele a pegou pelas mãos não sabia o perigo que estava correndo, só a encontrou indefesa, solitária, solta ao relento. Não havia nada dentro dele além da extrema vontade que sentia de levá-la, de cuidar de cada pedacinho dela, de viver com ela até que se curasse, sabia de todos os riscos, sabia de todos os traumas que a conduziam ao erro, sabia que o caminho que queria seguir tinha um lado ruim mais acentuado do que o de lado de lá, mas a vontade, a tentação não o deixavam resistir, a vontade havia tomado conta da sua consciência naquela hora onde mais nada havia, só vontade. Com todo o cuidado que ele jamais teve (sempre foi considerado um homem bruto, de poucas palavras) pegou, acalentou e acariciou até que percebesse que ela se sentia um pouco segura, um pouco longe das dúvidas. Ela foi se soltando, foi amadurecendo aqueles poucos segundos de conhecimento, e foi querendo se libertar, foi querendo sair desse casulo, foi mostrando toda a liberdade que queria ter (sempre foi considerada apegada demais, dependente), e tentou seguir, tentou soltar-se dele o mais rápido possível. E ele ao perceber absurda situação se contrariou, as palavras acabaram novamente, a dureza voltou, a brutalidade era predominante mais uma vez. Ele tentou a soltar, mas se sentia apegado demais, não sabia o que fazer, pela primeira vez na vida, não sabia a atitude que queria tomar, mesmo cheio de vontades, dessa vez a vontade não fez seu papel absolutista, em estado de coma a vontade se encontrava. Ele a pegou pelas mãos, não sabia o perigo que estava correndo, não sabia. E a soltou, não sabia o perigo que estava correndo, não sabia.
sábado, 26 de setembro de 2009
Desabafo.
Apesar de ser fuga do inevitável, mas cansa... Ah, como a maldita espera cansa, cansa mais do que esperado, cansa de tão esperado que é. Mas o pior de tudo é esperar em vão, esperar sendo feita de besta, sendo usada pra uma espera que seria sem fim.
E é impressionante como a gente ainda se impressiona com as ridicularidades alheias.
Mas deixa passar, é bom pra aprender. Aprender a não esperar, a decidir e principalmente a desistir enquanto é tempo.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Ventania.

Na busca de tempos, de sempre, de um tempo psicológico que chega a ser incompreensível... Busca de todos os dias, de todos os segundos, busca de uma mente que não para de confabular outros modos de buscar, de uma mente cansada mas ainda disposta, de uma disposição quase cega.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Cubo.
Nunca soube como dizer, e tinha a impressão de que era isso que arruinava seus planos, tinha a impressão de que seu esconderijo a atrapalhava.
Era um esconderijo fundo, escuro e intenso... Nesse esconderijo guardava todos as ânsias, todas as vontades, todos os impulsos não respeitados, as angústias. E agora vinha percebendo que esse esconderijo a incomodava mais que nunca, em um momento em que o que mais queria era saber se abrir, saber resolver, saber expor. Nesse momento, as palavras eram necessárias, a aparição. Tinha tanta convicção de que seu esconderijo a atrapalhava e impedia de algum jeito que as situações fossem resolvidas, e sofria, e pensava e guardava mais sentimento no escoderijo.
Sentimento preso, escondido que atormentava. E não diria que não resolveu tentar, pois tentava a cada minuto transparecer, abrir as portas daquele esconderijo, mas algo parecia a esconder mais, algo parecia cobrir mais ainda os espaços de coragem que achava. E queria algo menos pessoal e íntimo, queria realmente se soltar, queria saber como mostrar, queria tanto...
E queria mais ainda que um dia essa angústia passasse, pois não aguentava mais, ela queria uma decisão e mais do que nunca a situação a obrigava a revelar, a despejar tudo. Mas além de todos os sentimentos, ainda guarda no esconderijo o receio de ser tarde demais.
sábado, 15 de agosto de 2009
Arremate.
Porque eu estou com sono e nada do que eu pensar agora vai fazer muito sentido, dá vontade de fazer tudo assim, sem medidas, sem pensar, no piloto automático. Eu, no meu "sleeping mode" vou resolver escrever um texto e penso: Ah, isso vai dar merda. Mas nada melhor do que uma merdinha de vez em quando pra livrar a mente das merdas cheirosas da vida (até porque elas são as mais difíceis de expelir). terça-feira, 28 de julho de 2009
Avante.
