terça-feira, 10 de novembro de 2009

Libera Geral

Cliquei em rascunho do Word e descobri que era aqui mesmo que eu queria escrever. Hoje eu nem estou afim de escrever coisas bonitinhas bloguianas com todos os acertinhos de linguagem e estética do mundo. Não.

Eu quero mesmo é rascunhar, rabiscar, distorcer. E eu sempre achei a destruição mais prazerosa do que a construção. A melhor coisa do mundo é pegar uma coisa assim, um aparelho, uma máquina, um equipamento ou até mesmo um prato e quebrar, estraçalhar, matar mesmo... Dá uma liberação de energia inexplicável. Ah, tão prazeroso!

E ai a vontade de destruição vai passando (ou dependendo do caso, ela só aumenta! Cuidado!) e vai dando espaço ao arrependimento de ter quebrado tal coisa, ou talvez o medo de alguém te dar um esporro daqueles porque você destruiu um pequeno bem material de merda.

Mas é assim mesmo, né? A vontade vem, a vontade é morta, a vontade vai embora, o remorso toma conta do lugar da vontade, o esporro toma conta do lugar do remorso, a raiva toma conta do lugar do esporro, a vontade vem, a vontade é morta, a vontade...

Bleh! Acho que eu vou embora antes que vontades me dominem e eu tenha vontade de matá-las, porque prazer e destruição pra mim são coisas conjugadas. Aham, coisas mesmo!

sábado, 17 de outubro de 2009

e ponto final ...

Um caminho, um abrigo para trazer o que se vêm perdendo com as horas que passam rápido demais, que deixam a desejar. Uma fonte de desejos, um ápice de sentimento, brainstorm. Por estas horas que nunca passam, invisíveis a olho nu, perdidas. Porque eu não quero mais dormir, quero acelerar, correr a rota, fazer rodar sem erradas impressões, e nesse mar de horas navegar sem rumo, à procura de abrigo e do que se vêm perdendo. Nenhuma pergunta, sem questões que a nada levam, deixa o barco levar, navega. Transmitir pensamento sem saber para onde vai, decidir seguir a intuição, porque as decisões intuitivas sempre foram mais bem tomadas e saber exatamente o que fazer no primeiro ato nunca foi tão fácil assim. Colher frutos, passar tempo, interrogações e principalmente reticências.


(Quase) Nada do que exponho é intrínseco e plausível.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Visualizando

Quando ele a pegou pelas mãos não sabia o perigo que estava correndo, só a encontrou indefesa, solitária, solta ao relento. Não havia nada dentro dele além da extrema vontade que sentia de levá-la, de cuidar de cada pedacinho dela, de viver com ela até que se curasse, sabia de todos os riscos, sabia de todos os  traumas que a conduziam ao erro, sabia que o caminho que queria seguir tinha um lado ruim mais acentuado do que o de lado de lá, mas a vontade, a tentação não o deixavam resistir, a vontade havia tomado conta da sua consciência naquela hora onde mais nada havia, só vontade. Com todo o cuidado que ele jamais teve (sempre foi considerado um homem bruto, de poucas palavras) pegou, acalentou e acariciou até que percebesse que ela se sentia um pouco segura, um pouco longe das dúvidas. Ela foi se soltando, foi amadurecendo aqueles poucos segundos de conhecimento, e foi querendo se libertar, foi querendo sair desse casulo, foi mostrando toda a liberdade que queria ter (sempre foi considerada apegada demais, dependente), e tentou seguir, tentou soltar-se dele o mais rápido possível. E ele ao perceber absurda situação se contrariou, as palavras acabaram novamente, a dureza voltou, a brutalidade era predominante mais uma vez. Ele tentou a soltar, mas se sentia apegado demais, não sabia o que fazer, pela primeira vez na vida, não sabia a atitude que queria tomar, mesmo cheio de vontades, dessa vez a vontade não fez seu papel absolutista, em estado de coma a vontade se encontrava. Ele a pegou pelas mãos, não sabia o perigo que estava correndo, não sabia. E a soltou, não sabia o perigo que estava correndo, não sabia.

20090324155713

sábado, 26 de setembro de 2009

Desabafo.

Tem dias que tudo o que a gente mais quer é mandar tudo e todos pro espaço, e viver solitária e isolada de todas essas mentiras e hipocrisias que ocorrem com a gente a todo momento.
Apesar de ser fuga do inevitável, mas cansa... Ah, como a maldita espera cansa, cansa mais do que esperado, cansa de tão esperado que é. Mas o pior de tudo é esperar em vão, esperar sendo feita de besta, sendo usada pra uma espera que seria sem fim.
E é impressionante como a gente ainda se impressiona com as ridicularidades alheias.
Mas deixa passar, é bom pra aprender. Aprender a não esperar, a decidir e principalmente a desistir enquanto é tempo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ventania.


E buscar você por todos os cantos, ruas e multidões. Buscar você até que a alma peça pra parar, até que as forças não sejam mais alcançadas, até que o eu diga "basta".
Na busca de tempos, de sempre, de um tempo psicológico que chega a ser incompreensível... Busca de todos os dias, de todos os segundos, busca de uma mente que não para de confabular outros modos de buscar, de uma mente cansada mas ainda disposta, de uma disposição quase cega.

Talvez a busca de algo que não precisa ser tão buscado, de algo que já parece ter sido encontrado depois de uma busca infinita e que ainda se faz presente, a busca nunca se cessa. E nesse buscar as esperanças aumentam, a idéia de alcance aumenta e a falta de consciência também. Porque nesse ir e vir de busca o coração vai se enchendo até que em uma hora ele possa pedir vazio ou explosão.
Ah, sempre preferi pensar em explosão, vazio é triste, é amplo, é solidão. Explosão arrebata, quebra, arrebenta todas as artérias. Explosão é alegre, é vasta, é estar junto.
Buscar você, buscar explosão, buscar o que já se tem, mesmo se querendo mais.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Cubo.

Nunca soube como expressar sentimento que fosse, nunca soube mostrar, se abrir.
Nunca soube como dizer, e tinha a impressão de que era isso que arruinava seus planos, tinha a impressão de que seu esconderijo a atrapalhava.
Era um esconderijo fundo, escuro e intenso... Nesse esconderijo guardava todos as ânsias, todas as vontades, todos os impulsos não respeitados, as angústias. E agora vinha percebendo que esse esconderijo a incomodava mais que nunca, em um momento em que o que mais queria era saber se abrir, saber resolver, saber expor. Nesse momento, as palavras eram necessárias, a aparição. Tinha tanta convicção de que seu esconderijo a atrapalhava e impedia de algum jeito que as situações fossem resolvidas, e sofria, e pensava e guardava mais sentimento no escoderijo.
Sentimento preso, escondido que atormentava. E não diria que não resolveu tentar, pois tentava a cada minuto transparecer, abrir as portas daquele esconderijo, mas algo parecia a esconder mais, algo parecia cobrir mais ainda os espaços de coragem que achava. E queria algo menos pessoal e íntimo, queria realmente se soltar, queria saber como mostrar, queria tanto...
E queria mais ainda que um dia essa angústia passasse, pois não aguentava mais, ela queria uma decisão e mais do que nunca a situação a obrigava a revelar, a despejar tudo. Mas além de todos os sentimentos, ainda guarda no esconderijo o receio de ser tarde demais.