segunda-feira, 7 de março de 2011

- Lembra como tudo isso começou?

- Nossos pés descalços tocando a água fria. Rostos acima do horizonte. Sem olhar para o outro. Silêncio.

-Silêncio, como sempre. Como nós podemos ser tão silenciosos no começo? É estranho pensar, não?

- Eu não acho. O silêncio sempre foi minha melhor qualidade. Por que você pensa que nós demos tão certo juntos?

- Eu não tenho a menor ideia, passarinho. Eu só sei que nós demos certo, sim. E isso é tudo o que eu preciso saber.

- Talvez. Mas eu penso que o silêncio foi um tipo de cupido para nós. Vindo tão devagar, fazendo antítese de todos os nossos momentos.

- Calmo e louco. Tolo e bom.

-Certamente.

-E o que mais?

- Eu não tenho a menor ideia, passarinho. Eu só sei que nós demos certo, sim. E isso é tudo o que eu preciso saber.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Instável.

E às vezes aquela dúvida infernal que fica na nossa cabeça faz com que os dias sejam estragados sem motivo. Saber se certas coisas devem mesmo influenciar em outras é a questão, impossível questão.
Queria viver num mundo onde nada é tão fixo, quero tudo mais flexível pra poder ver da melhor maneira e estar certa. Mas enquanto isso não acontece o jeito é refletir e talvez se deixar levar, porque essa sempre foi a maneira escolhida, mas nem por isso sempre deu certo.
Atitude demais pode atrapalhar, mas a falta dela causa um impacto maior ainda.
Pra uns mais que uma pausa, pra outros ação agora, nesse instante, sem mais delongas e por favor.
Cansei dessa maldita falta de sorte, cansei. Que vontade de ver tudo fluir, vontade de ver não tudo dar certo ao mesmo tempo, mas sim, que as coisas mais importantes e urgentes dêem certo agora. E o que eu mais desejo sempre e agora é: livrai-me desse azar contagioso. Amém.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ingrediente.

E naquela cozinha existia algo a mais além de arroz borbulhando, carne assando, jantar quase feito. Ali, havia um cheiro diferente do cheiro habitual que ela sempre sentia quando decidia cozinhar para ele. Talvez seria por aí que ela conseguisse medir o tamanho daquilo tudo. Sem entender muito bem o que estava havendo, mas tentando transparecer o contrário (como sempre) ela dava reviravoltas na cabeça, juntamente com a colher de pau dentro da panela de arroz. E logo depois do sinal do microondas, ela sente o cheiro de palavras acabando de sair do forno daquela boca:

-Já não sei mais.
-Não sabe mais o que?
-O que eu quero.
-Mas você nunca soube.
-É verdade, acho que hoje eu fico com o arroz.
-Boa escolha.

domingo, 4 de julho de 2010

Inteiro.

Eu também sei agora que pensar pra trás é indispensável, ainda mais com toda essa bagagem.
Ah, que intenso, que intenso mesmo depois de tanto tempo. E é incrível como continua tão aqui, de verdade, mil vezes e de novo. Tanto tempo que passou tão rápido, tão rápido que faz parecer pouco tempo. Apesar de nas aparências não ser tão intenso assim, mas aqui dentro continua do mesmo jeitinho, sem mudar uma só vírgula, e me disseram que é aí que realmente interessa.
Já reparei que esse sentimento de querer explodir vem quando o que tá acontecendo (ou aconteceu) é (ou foi) verdadeiramente muito intenso e real. Desses de não saber o que dizer, de dizer, dizer, dizer e parecer que não disse nada, de querer sair correndo 300, 500, 1.000 quilômetros sem parar só pra ver se dá pra medir o tamanho disso, e mesmo assim não ser suficiente.
É isso que me faz ver e saber que o que tá aqui dentro é realmente o que eu penso que é, e ser, e deixar, e se deixar explodir por aquilo sem medo. Porque é a melhor explosão que se pode ter.
E com certeza o oposto também percebe, e sente, e explode. Porque não é possível, tanta coisa boa em explosão, os pedacinhos saltam e atigem quem está por perto, com certeza.
E assim é como eu quero, explodir para dentro, para fora, para todos e principalmente para eles,para ele.



quarta-feira, 28 de abril de 2010

Acolá.

Indiferentemente, ela sabia por onde começar a caminhar. Mas o propósito da jornada ainda não estava fixo em sua mente, muito menos até onde isso iria perdurar.
Mas o que ela gostava mesmo de ouvir era "Vai lá, sem pensar" porque isso era exatamente o que ela gostaria de fazer há tempos. Não aguentava mais esse pensamento constante, essa busca intensa sem resultado algum, esse vigor na vida e falta dele no pensamento já bastava. Apesar que pensar demais que a fez tomar a decisão de ir, sem saber. E o que a fortalecia era a intensidade desse sentimento de fuga. Nada era o bastante, nunca foi, não é mesmo?
O que ela queria mesmo era explodir, se esvair em sentimento, em pensamento, e se perder; talvez para se encontrar no caminho.

.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

10 p.m


Tentando entender o que nunca foi dito, nessa mistura mental que é sempre feita no estopim da agonia, da angústia, e até da angústia alheia. Não é possível querer se abster de tudo nunca, pelo contrário, o que há de mais fácil é padecer de pensar no próprio e no alheio, na metade e no todo. Distúrbio!
Interessante pensar no pensar, pensar no querer não pensar e mais uma vez no ser contraditório e sê-lo na prática.
É de se pensar, não?!